09 agosto, 2011

A verdade, é que eram leves e profundas. Tranquilizavam-me, purificavam-me, e, atribuíam-me o sabor da nossa confiança. Sentia-me leve, feliz; faziam-me esboçar um sorriso. Eram as mais puras e bonitas palavras que, desde sempre, me proferiste; que alguém, alguma vez, me ofereceu. Tinham um valor único. Um valor que, somente, fazias questão de lhes cravar; um valor de dois corações. Em tudo o que o tempo construiu, o tempo desfez. Hoje, ainda consigo ouvi-las. Lá no fundo, aquele eco ainda se mantém. A tímida voz ainda impulsiona sob a consistência. Como uma brisa pela manhã, como um gélido arrepio ao anoitecer, ainda consigo sentir o teu proferir do lado da minha face. A figuração do brilho dos teus olhos e a tua mão, pousada sob a minha. Num pequeno instante, levaste-lhes o sabor - aquela doçura ao qual surpreendias - e, deixaste-me à mercê do vento. Do lá e do cá, sem nenhum acento, sem nenhum semeio, sem nenhuma corrente. Sempre soubeste, como me completar. Presenteavas-me com o seu soletrar. Sabias que me faziam bem. E, em troca, pedias-me que te sorrisse. Reconfortava-te a segurança do meu sorriso e, abraçavas-me. Aquele que era o mais alongado e forte. Aquele que ficou a ser recordado, aquele a quem eu apelidei de «adeus presente.»
(inventado)