29 fevereiro, 2016

Eu tive uma, e isso não foi a pior coisa do mundo. A pior coisa do mundo, foi ter uma num momento qualquer, num momento em que eu pensara que estava destemida e podia enfrentar o Mundo. Eu sei que aqueles dezoito anos já me dariam a posse de Mulher, já me permitia fazer mil e uma coisa, e viver da forma como eu quisesse. Mas sentia-me uma miúda. Chama-se depressão. E arrasta-te. Percorre-te silenciosamente, e ficas sem entender nada. Eu fiquei. É como uma dor de cabeça em que insistes e persistes que passará com isto ou aquilo, que é só mais um dia ruim, e que tudo vai passar com uma boa noite de sono. Mas não é. Ficas presa a pensamentos, a palavras – normalmente as negativas -, e à moleza da tua mente. Cais sobre a cama, na esperança que a tua cabeça solte tudo aquilo, fechas os olhos na esperança de que, quando os abrires, tudo estará bem novamente. E tentas, tentas vezes sem conta, repetes tudo isso vezes sem conta. Insistes vezes sem conta, até perceberes que caíste na realidade de um momento. Olhas para todos os outros – eles estão a fazer a sua vida normal. Vês os teus pais num sobressalto todas as manhãs para irem para o trabalho. Os teus amigos saem, vão para o novo bar que abriu à esquina. Lá fora, o trânsito não pára, as ruas estão cheias de cás e lás, e as lojas abriram às nove. Está tudo tão normal. Menos tu, não é? Eu bem sei. Vês-te obrigada a colocar uma "máscara" para tentares conviver da mesma forma: mas já não dá. No entanto, o problema não passa. Aquela dor de cabeça – vamos chamar assim -, não passa, e lutas para te levantares todos os dias e, todos os dias, fica um pouco mais difícil. Começas a rejeitar a tua família. Não cumpres os horários das refeições, simplesmente porque o ambiente já não te diz nada. As paredes do teu quarto, tornaram-se as tuas maiores amigas. Os teus amigos convidam-te para mais uma noitada. Tu gostavas disso, de chegar a casa com o pôr-do-sol. Eu também. Agora, o botão vermelho é pressionado bastantas vezes. Rejeitas as conversas, desligaste das redes sociais, do ambiente lá fora, e das coisas que te metiam um sorriso. Todas essas pequenas coisas já não te dizem nada, toda a satisfação foi embora. As tarefas mais simples tornam-se dolorosas e a falta de motivação acabou de chegar. Perguntas-te muitas vezes porque é que tens que tentar se nada te faz feliz? Tudo te faz sentir pior, e sentes-te a viver em câmara lenta. É apenas um peso preenchendo-te a cabeça, e molando o teu corpo. E quando pensas que nunca serás feliz novamente? Sentes-te destruída. Começas a sentir vergonha de tudo o que fizeste, disseste e deixaste por fazer. Começas a pensar que se tivesses sido mais correta, mais "direitinha", tudo isto era só um pesadelo. E aí, começas a odiar-te. Vezes e vezes sem conta. Partes o espelho só para não te veres. Os cortinados do teu quarto já não são abertos à uma semana. E a tua roupa começa a conhecer o perfume que trazias. Nesse mesmo momento, escutas sorrisos de outros. Alguma coisa diz que tens que abrir aquela porta, vestir a tua melhor roupa, passar um rímel, um batom e sair. Conhecer pessoas novas, reencontrares os teus amigos e cometer uma loucura saudável. Mas tudo isso passa rápido, porque começas a pensar que não vai funcionar. A tua mente diz-te: "não, não, não vai funcionar!". Fracasso e solidão será tudo aquilo que vais sentir.  A baixa auto-estima ficará insuportável. Finalmente percebes que não podes continuar desse jeito e apenas duas, e somente duas coisas, podem acontecer: ou pedes ajuda, ou o teu corpo é levado ao suicídio. Eu pedi ajuda. E tu não estás sozinha: em primeiro lugar, tens-te a ti própria.

11 comentários:

Ana disse...

R: Obrigada :)
Também estou a seguir *

Sofia disse...

Gostei muito de ler (;

jo disse...

senti um orgulho imenso ao ler isto!

Teresa Isabel Silva disse...

O importante é nunca desistir!

Bjxxx

Mariana Dezolt disse...

Gostei imenso deste texto! Houve uma fase da minha vida em que me senti assim. Nunca o chamei de depressão porque nunca quis dar demasiada importância ao problema, mas a verdade é que havia semanas em que eram mais os dias em que ficava em casa, na cama, do que aqueles em que me levantava para ir para a escola.
Escreves muito bem! Vou seguir o teu blog :)
Kisses,
Messy Hair, Don't Care

Miguel Gouveia disse...

Muito obrigado, querida :D
Sem dúvida que esta gama da marca tem surpreendido imenso porque não és a primeira pessoa que me fala super bem desse óleo. Assim vale mesmo a pena investir algum dinheiro :D

Que lindo!!! Tu tens uma capacidade incrível de me chegar ao coração com os teus textos, a sério!

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Rita Gomes disse...

Bem, deixas qualquer um perplexo (no bom sentido) com as tuas palavras. Não imagino aquilo que passaste mas fico muito feliz por teres pedido ajuda e por teres deixado no passado um período tão negro.
Beijinhos ❤
MY FASHION ODYSSEY

Rita Gomes disse...

Bem querida, só agora é que eu percebi como é que se segue o teu blog (burrita). Andei aqui a procurar, a procurar... Finalmente dei com isto :P Ahahah!
Beijinhos ❤
MY FASHION ODYSSEY

Miguel Gouveia disse...

Shiu :P eu é que agradeço todo o apoio que tens dado. És um ser humano incrível <3

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Inês Silva disse...

obrigada pelo comentário <3
excelente texto, escreves mesmo bem! e fico feliz por saber que ultrapassaste uma fase pior e que tiveste coragem de pedir ajuda para isso :)

www.pinkie-love-forever.blogspot.com

Ísis disse...

És maravilhosa a escrever e a tua última frase é tão verdade :)

r. Muito, muito obrigada pelo tua força e pelo teu apoio querida. Um beijinho grande