31 março, 2016

Ainda tremo quando te recordo. Não sei o que foi pior, se não ver que tentaste ser o melhor do mundo ou deixar que o orgulho se apoderasse na minha forma de lidar contigo. Foste embora, e eu ainda tremo. Tanto tu como eu, sabemos que nem tu nem a mãe foram os pais que todas as meninas queriam ter, mas...  De qualquer maneira, não podia ter pedido melhor. Nada me faltou durante todos estes anos, de perto ou de longe. Aprendi a lidar com os teus vai e vens, e no meio de tanta ida e de tanto regresso, sempre deixavas uma lição, um conselho, uma voz levantada ou, até mesmo, um pedido. A tua preocupação sempre foi fazer-me acreditar que nada temos se não lutarmos. E agora, sim, eu sei muito bem do que me dizias. Acolhi-te no meu abraço. Vi-te a olhar-me de cima a abaixo, e do sorriso que deste à avó. Senti que sentias orgulho do que estavas vendo. Dei-te o meu beijo: o teu, o nosso. Deste-me a mão, e senti a grossura dos teus dedos nos meus, como em criança. Não me deixaste chorar, não me deixaste falar. E foi assim durante muito tempo, durante muitos momentos. Porque o sentido do momento era-nos sempre muito mais importante do que meia dúzia de palavras. Todas as tuas últimas promessas foram cumpridas, o que eu pensara que não. Não me deste mais porque não pudeste – e, porque, muitas vezes, o teu, e o meu, orgulho também não deixou. Contigo, aprendi a andar de bicicleta e a ganhar as corridas aos rapazes. Ensinaste-me a passar o batom vermelho da mãe para disfarçar os arranhões nos joelhos - o que funcionou muitas vezes. Ensinaste-me a jogar bowling, a construir as minhas casinhas, e brincar às pedrinhas. Levaste-me a um campo de golfe e “roubámos” umas bolas por lá perdidas. Saíamos de casa sem a mãe saber para irmos comer pizza, e davas sempre a volta à mãe para ela não ralhar. Ao contrário da mãe, ensinaste-me que os meninos maus não existiam, mas que não deveria ser amiga de nenhum. Tudo isso porque fazias questão de dizer que eu era a tua menina, de mais ninguém. Qualquer que fosse o momento, estavas lá. Entretanto, eu crescia e criava uma barreira. Isso, porque a mágoa ainda estava pesada... doía. Ralhaste-me muitas vezes, e tentaste ser o pai que nunca foste. Posto isso, sempre foste o meu preferido. E as boas memórias também foram vividas a teu lado, contigo do meu. Estou tentando não esquecer: não esquecer o teu olhar, o teu cheiro, a tua voz. Tudo isso lembra-me que partiste, mas sei que deixaste o melhor de ti um pouco por tudo o lado. Passam trezentas e sessenta horas sem te ver, e peço que não venha nenhuma para eu te esquecer. Descansa em paz.

15 comentários:

Teresa Isabel Silva disse...

os meus sentimentos. O importante é preservar as boas memorias!

Bjxxx

Ísis disse...

" Passam trezentas e sessenta horas sem te ver, e peço que não venha nenhuma para eu te esquecer. " Sublime querida!


Um beijinho grande

Cláudia S. Reis disse...

Que texto tão emotivo. Eu própria tremi.

Catarina Mendes disse...

Que palavras lindas, adorei !
with love, KATE ❤

Teresa Isabel Silva disse...

Guarda sempre as coisas boas!

Bjxxx

Simple Girl disse...

Que palavras lindas... muita força minha querida!

Simple Girl disse...

r: Está tudo bem sim querida, estive só um pouco ausente daqui. Mas obrigada pela preocupação :)

Inês Silva disse...

obrigada pelo comentário e pelo elogio <3
viste-me por lá? :p
wow isto está incrível, mesmo emocionante

www.pinkie-love-forever.blogspot.com

Inês Silva disse...

r: também espero conseguir conhecer-te um dia eheh :D

www.pinkie-love-forever.blogspot.com

Joana Freitas disse...

Muita força.

http://quase-italiana.blogspot.pt/

Virgínia Ferreira disse...

Fiquei muito comovida com o texto, também já não tenho o meu pai e revejo-me nas tuas palavras.
Beijinhos querida
http://virginiaferreira91.blogspot.pt/

Simple Girl disse...

r: Concordo, mas por um lado ainda compreendo a situação. Eles têm de cumprir datas para conseguirem tratar dos exames nacionais. Ao permitirem multas é uma forma de controlar isso :/

Joana Freitas disse...

r; não querida, foi inspirado numa série :)

http://quase-italiana.blogspot.pt/

Joana Freitas disse...

r: muito obrigada querida, mesmo :)

http://quase-italiana.blogspot.com/

Marta Correia R disse...

O teu texto está lindo, até me emocionei :)
Beijinhos
http://universodamarta.blogspot.pt